Globo, Band e RedeTV! estão entre as emissoras que receberam notificações. Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte estão entre as empresas que já comunicaram parceiros sobre a possibilidade de rompimento dos acordos.
Os avisos começaram a ser enviados antes mesmo do anúncio oficial do governo nesta sexta-feira (25), enquanto as empresas aguardavam a definição sobre o futuro do setor.
Bets estão entre os grandes anunciantes da televisão
O impacto pode ser significativo porque as casas de apostas se tornaram importantes anunciantes da televisão brasileira.
Somente em agosto, as empresas do setor investiram cerca de R$ 153 milhões em intervalos comerciais e cotas de patrocínio na TV, segundo dados da Tunad, empresa especializada no monitoramento do mercado publicitário.
Os investimentos aparecem em comerciais tradicionais, patrocínios de transmissões esportivas, programas de entretenimento e até acordos de naming rights, quando uma marca passa a integrar o nome comercial de uma atração.
Na Band, por exemplo, marcas de apostas mantêm contratos ligados a programas esportivos como "Jogo Aberto" e "Os Donos da Bola". A emissora avalia como esses acordos serão tratados diante das mudanças.
Globo e Band negociam possíveis saídas
Nesta sexta-feira, após o avanço da medida, Globo e Band entraram em contato com empresas de apostas para informar que não pretendem cobrar integralmente eventuais multas previstas nos contratos caso as rescisões ocorram em razão da mudança regulatória.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, as emissoras tratam o cenário como excepcional e trabalham com a possibilidade de negociar uma saída amigável dos contratos.
Outros grupos de comunicação continuam analisando seus contratos para definir quais medidas serão adotadas. RedeTV!, ESPN e outras empresas com forte presença em transmissões esportivas também aparecem entre as companhias expostas à possível redução dos investimentos publicitários do segmento.
O SBT também acompanha os possíveis efeitos financeiros provocados pela saída das casas de apostas do mercado publicitário, segundo informações divulgadas pela imprensa.
Record já havia mudado negociação
A Record também começou a se movimentar diante das incertezas envolvendo o setor.
A emissora decidiu não renovar uma cota de patrocínio do reality "A Fazenda" com a Betano, empresa que participava comercialmente do programa desde 2021.
As áreas comerciais das emissoras já avaliam alternativas para substituir os espaços que poderão ser deixados pelas plataformas de apostas.
Governo anunciou suspensão das plataformas
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) a suspensão da atividade das casas de apostas esportivas e jogos virtuais on-line no Brasil.
Pelo cronograma apresentado, novos depósitos ficam proibidos e os apostadores terão até as 23h59 do dia 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores existentes nas plataformas. A partir de 6 de outubro, as empresas não poderão mais oferecer apostas no país.
A decisão foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, a nove dias do primeiro turno das Eleições 2026. A medida foi apresentada por meio de uma Medida Provisória, instrumento que produz efeitos imediatos após sua publicação, mas precisa ser analisado pelo Congresso para permanecer em vigor.
Impacto vai além da televisão
A mudança não atinge apenas as emissoras. Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro também foram notificados sobre a possibilidade de rescisão de contratos de patrocínio.
Em 2025, as bets destinaram aproximadamente R$ 1,03 bilhão aos clubes que disputavam a Série A, segundo levantamento da consultoria Convocados citado pela Folha.
Com a suspensão anunciada pelo governo, emissoras, clubes e empresas de publicidade agora analisam contratos e buscam alternativas para substituir uma fonte de receita que ganhou grande participação no mercado brasileiro nos últimos anos.



