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Incêndio na Embrapa atinge 10 hectares, mata animais silvestres e destrói pesquisas de até 30 anos

Fogo atingiu cultivos de mangaba, bacuri e cajá na zona Norte de Teresina; equipes ainda realizam rescaldo e instituição calcula prejuízos ambientais e científicos

Incêndio na Embrapa atinge 10 hectares, mata animais silvestres e destrói pesquisas de até 30 anos
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O incêndio que atingiu a área da Embrapa Meio-Norte, na zona Norte de Teresina, deixou um cenário de destruição que vai além da vegetação queimada. Animais silvestres morreram, áreas de pesquisa foram atingidas e trabalhos científicos desenvolvidos ao longo de décadas sofreram perdas.


Segundo Anísio Ferreira, chefe da Embrapa Meio-Norte, aproximadamente 10 hectares foram alcançados pelo fogo. Entre os locais afetados estão áreas destinadas a estudos com fruteiras nativas, como mangaba, bacuri e cajá. Algumas das plantas destruídas faziam parte de pesquisas realizadas há mais de 30 anos, envolvendo seleção e melhoramento genético. 

O incêndio começou na noite de segunda-feira (5), voltou a ganhar força na terça-feira (6) e avançou por diferentes pontos da unidade. As chamas também alcançaram uma área do Jardim Botânico e chegaram perto de regiões residenciais. Na manhã desta quarta-feira (7), equipes ainda trabalhavam no rescaldo para impedir que novos focos voltassem a se espalhar. 

Animais silvestres morreram durante o incêndio

Um dos impactos mais visíveis foi sobre a fauna que vive nos trechos de vegetação preservados da região.

Pacas e camaleões estão entre os animais silvestres encontrados mortos após a passagem das chamas. Registros feitos na área também mostram animais tentando escapar do fogo. 

A Embrapa esclareceu que os animais mantidos oficialmente pela instituição para atividades de pesquisa, como caprinos e aves, não foram atingidos. A perda registrada ocorreu principalmente entre espécies silvestres que utilizavam a vegetação da unidade como habitat. 

A área da Embrapa está inserida em uma região cercada pelo crescimento urbano de Teresina, mas ainda conserva vegetação que serve de abrigo e corredor para diferentes espécies.

Pesquisas de três décadas foram atingidas

Além do dano ambiental, o incêndio provocou perdas para a pesquisa científica.

De acordo com a direção da Embrapa Meio-Norte, parte das plantas atingidas integrava estudos de melhoramento desenvolvidos durante décadas. Mangaba, bacuri e cajá estão entre as espécies afetadas. 

A unidade mantém bancos e coleções de recursos genéticos de várias fruteiras e culturas. Dados da própria Embrapa mostram, por exemplo, coleções de germoplasma de bacuri, mangaba e cajá na unidade Meio-Norte, utilizadas para conservação e pesquisa. 

A dimensão financeira e científica do prejuízo ainda está sendo calculada.

Fogo chegou próximo de outras áreas

Na terça-feira, as chamas voltaram a avançar e alcançaram também trechos do Jardim Botânico do Mocambinho. Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e equipes de apoio trabalharam para conter o incêndio, que produziu grande quantidade de fumaça e chegou próximo a imóveis da região. 

Moradores relataram ardência nos olhos e problemas respiratórios provocados pela fumaça e pelas cinzas. Não houve registro de feridos ou de danos significativos às residências próximas. 

Causa ainda será investigada

A origem do incêndio ainda não foi oficialmente determinada.

Anísio Ferreira afirmou que o surgimento de vários focos em intervalos curtos levantou a hipótese de ação humana intencional, mas ressaltou que ainda não é possível fazer essa afirmação sem investigação. Segundo ele, quatro focos teriam surgido praticamente de forma simultânea ou separados por intervalos de aproximadamente 10 a 15 minutos. 

O Corpo de Bombeiros também trabalha com a possibilidade de ação humana como origem do fogo, mas as circunstâncias ainda precisam ser esclarecidas. 

Enquanto a investigação busca determinar como o incêndio começou, a Embrapa concentra os esforços na avaliação dos prejuízos ambientais e científicos e na proteção das áreas que não foram alcançadas pelas chamas.

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