Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que atinge o sistema linfático. O primeiro diagnóstico foi divulgado em março de 2025, depois que o cantor passou quase um mês internado para investigação de fortes dores e dificuldades para caminhar.
Em junho daquele ano, Netinho comemorou nas redes sociais que exames não haviam identificado sinais da doença. Ele concluiu o tratamento e chegou a retornar aos palcos.
Em maio de 2026, no entanto, o artista anunciou a recidiva do linfoma. O novo tratamento incluiu sessões de quimioterapia e havia previsão de transplante autólogo de medula óssea. No fim de setembro, sua equipe informou que ele estava novamente internado em Salvador e que se afastaria temporariamente das redes sociais para concentrar esforços na recuperação.
Da Bahia para o Brasil
Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, cidade onde sua relação com a música ganhou força.
Aos 14 anos, recebeu da mãe seu primeiro violão e aprendeu a tocar. Mais tarde, chegou a cursar Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador, ao mesmo tempo em que começava a se apresentar em bares da capital com repertório de MPB e bossa nova.
A virada profissional aconteceu com a Banda Beijo. Em 1988, Netinho estreou no circuito oficial do Carnaval de Salvador à frente do grupo e conquistou projeção nacional com “Beijo na Boca”.
A partir dali, tornou-se um dos artistas responsáveis pela expansão do axé para além da Bahia.
“Milla” virou um dos maiores sucessos do axé
Netinho deixou a Banda Beijo e iniciou carreira solo em 1993. Vieram sucessos como “Capricho dos Deuses”, “Menina”, “Preciso de Você” e “A Vida é Festa”.
O maior fenômeno de sua trajetória chegou em 1996 com “Milla”, música que atravessou gerações e se transformou em uma das canções mais conhecidas do axé music.
Segundo a biografia oficial do cantor, o álbum Netinho ao Vivo! superou a marca de um milhão de cópias e “Milla” chegou a receber versões em diferentes idiomas. No auge da carreira, Netinho chegou a realizar dezenas de apresentações por mês.
Sua projeção também alcançou outros países. Ainda nos tempos da Banda Beijo, participou de apresentações na Itália durante a Copa do Mundo de 1990 e posteriormente levou sua música a outros mercados internacionais.
Empresário e produtor musical
A relação de Netinho com a música não se limitou aos palcos.
Na década de 1990, o cantor participou da criação de um grande estúdio de gravação no Rio de Janeiro. Artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Lenny Kravitz e Laura Pausini estiveram entre os nomes que passaram pelo espaço, segundo a biografia oficial do artista.
Netinho também atuou como produtor e empresário, participando de projetos voltados ao lançamento e desenvolvimento de novos artistas.
Problemas de saúde marcaram os últimos anos
Antes do câncer, Netinho já havia enfrentado um grave episódio de saúde em 2013. O cantor permaneceu meses internado, passou por cirurgias e relatou posteriormente ter sofrido AVCs, além de um longo processo de recuperação física e vocal.
Mesmo depois das dificuldades, voltou a cantar e manteve contato próximo com os fãs pelas redes sociais.
Durante o tratamento contra o linfoma, voltou a compartilhar diferentes etapas da rotina hospitalar, falando publicamente sobre sessões de quimioterapia, exames e planos para retornar definitivamente aos palcos.
A nova internação, no fim de setembro deste ano, interrompeu novamente as atividades do cantor.
Netinho deixa uma trajetória de mais de três décadas na música brasileira e um repertório diretamente ligado à consolidação do axé como um dos principais fenômenos populares do país nos anos 1990.



