Segundo informações divulgadas sobre o caso, José Carlos teria relatado, ao ser internado, que sofreu um arranhão ou mordida de gato. Ele era diabético e apresentou uma infecção que evoluiu com complicações durante o período de internação.
A relação exata entre o ferimento e a causa da morte, entretanto, deve ser analisada a partir das informações médicas do caso. O episódio reforça um alerta que vale não apenas para pessoas com diabetes: mordidas e arranhões de animais precisam ser higienizados e avaliados adequadamente.
Diabetes exige atenção redobrada com ferimentos
Pessoas com diabetes podem apresentar alterações nos nervos e na circulação que dificultam a percepção de determinadas lesões e aumentam o risco de problemas na cicatrização, especialmente quando a doença está associada à neuropatia periférica.
O endocrinologista e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Wallace Miranda destaca que a atenção deve ser ainda maior entre pacientes idosos com diabetes.
Segundo o médico, com a evolução da doença pode surgir a chamada neuropatia diabética, condição que pode reduzir a sensibilidade em determinadas regiões do corpo e fazer com que pequenos ferimentos não sejam percebidos imediatamente.
Wallace Miranda é professor do Departamento de Clínica Geral da UFPI e tem diabetes entre suas áreas de atuação e pesquisa.
A Sociedade Brasileira de Diabetes alerta que a perda da sensibilidade protetora provocada pela neuropatia pode fazer com que uma pessoa se machuque sem perceber. Problemas circulatórios também podem contribuir para maior dificuldade de cicatrização.
Pequeno ferimento pode evoluir para quadro grave
Arranhões, cortes ou mordidas não devem ser ignorados. Uma lesão aparentemente pequena pode se transformar em porta de entrada para microrganismos e evoluir para uma infecção, principalmente quando não recebe os cuidados necessários.
O Ministério da Saúde orienta que, após mordedura ou arranhadura provocada por um animal, o local seja lavado imediatamente e de forma abundante com água e sabão. Também recomenda procurar assistência de saúde o mais rápido possível para avaliação do ferimento e da necessidade de medidas como profilaxia contra raiva e tétano.
No caso de cães e gatos, a equipe de saúde avalia características como profundidade e localização da lesão, situação do animal e histórico de vacinação do paciente antes de definir a conduta.
Feridas em diabéticos não devem ser ignoradas
O Ministério da Saúde alerta que infecções e alterações de circulação estão entre as principais complicações relacionadas às feridas em pessoas com diabetes. Quando não tratadas adequadamente, algumas lesões podem apresentar dificuldade de cicatrização e evoluir para quadros mais graves.
Por isso, pessoas diabéticas devem observar regularmente a pele, principalmente pés e membros inferiores, e procurar atendimento diante de cortes, bolhas, perfurações, mordidas, arranhões ou sinais de infecção.
Entre os sinais que merecem atenção estão aumento da vermelhidão, inchaço, dor, secreção, mau cheiro, mudança na coloração da pele ou febre.
O caso registrado em Parnaíba reforça a importância da prevenção e do atendimento precoce. Mesmo ferimentos aparentemente simples precisam ser acompanhados com maior atenção em pessoas com diabetes, principalmente idosos e pacientes que já apresentam perda de sensibilidade ou dificuldade de cicatrização.



