Teresina, PiauíVoltar para a página principal
Teresinapontocom
InícioTeresina

MPPI investiga falta de atendimento médico 24 horas em maternidades municipais de Teresina

Procedimento foi aberto após vistorias do CRM-PI apontarem falhas no funcionamento integral das unidades; Ministério Público alerta para riscos a gestantes e recém-nascidos

MPPI investiga falta de atendimento médico 24 horas em maternidades municipais de Teresina
PublicidadeEPisAnúncio 1 de 2. Troca automática após 8 segundos.
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) instaurou procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar o funcionamento 24 horas das maternidades municipais de Teresina administradas pela Fundação Municipal de Saúde (FMS).


A medida foi adotada pela 29ª Promotoria de Justiça de Teresina após relatórios de fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) apontarem que unidades da rede municipal não estariam assegurando equipes médicas e serviços em regime integral durante as 24 horas do dia.

O Procedimento Administrativo nº 15/2026 é conduzido pelo promotor de Justiça Marcelo de Jesus Monteiro Araújo e foi formalizado nesta terça-feira (18/08).

Vistorias apontaram problemas no atendimento

De acordo com as informações que fundamentaram a abertura do procedimento, relatórios de vistoria elaborados pelo CRM-PI identificaram falhas relacionadas à presença contínua de profissionais e ao funcionamento integral dos serviços nas maternidades municipais.

Segundo o Ministério Público, a situação estaria contribuindo para a necessidade de transferir pacientes para outras unidades hospitalares, o que aumenta a preocupação principalmente em atendimentos obstétricos de urgência e emergência.

A Promotoria pretende acompanhar as providências adotadas pela Fundação Municipal de Saúde para garantir que as maternidades disponham da estrutura e das equipes necessárias durante todo o dia e todos os dias da semana.

MP alerta para risco a gestantes e recém-nascidos

Ao justificar a abertura do procedimento, o Ministério Público destacou que a assistência obstétrica e neonatal exige disponibilidade permanente, já que intercorrências durante a gestação, o parto ou nas primeiras horas de vida do bebê podem exigir atendimento imediato.

Segundo o MPPI, eventual ausência de profissionais ou restrição no atendimento de urgência pode representar risco de desassistência para gestantes e recém-nascidos.

O órgão também ressalta que a continuidade desse tipo de serviço é essencial para reduzir riscos relacionados à mortalidade materna e neonatal.

FMS afirma que urgências das maternidades funcionam ininterruptamente

A situação apontada pelas vistorias contrasta com informações divulgadas anteriormente pela própria Fundação Municipal de Saúde.

Em junho deste ano, ao informar sobre o funcionamento da rede durante uma alteração no expediente municipal, a FMS afirmou que as urgências e emergências dos hospitais, maternidades e Unidades de Pronto Atendimento de Teresina permaneceriam abertas de forma ininterrupta.

O procedimento instaurado pelo Ministério Público deverá justamente verificar se esse funcionamento 24 horas está sendo efetivamente garantido na prática, principalmente em relação à disponibilidade das equipes médicas e dos serviços necessários ao atendimento obstétrico.

Procurada em reportagem publicada nesta quarta-feira (19), a Fundação Municipal de Saúde ainda não havia apresentado manifestação sobre a abertura do procedimento.

Problema nas maternidades já é acompanhado há anos

A estrutura das maternidades municipais de Teresina já foi objeto de fiscalizações anteriores do CRM-PI.

Em 2024, o Conselho Regional de Medicina informou que havia realizado inspeções em todas as maternidades de Teresina, incluindo as unidades municipais e a Maternidade Dona Evangelina Rosa, administrada pelo Estado.

Em fiscalização anterior, o CRM-PI também havia cobrado da FMS a disponibilidade de exames de ultrassonografia durante 24 horas nas maternidades. Na época, o Conselho informou que apenas uma das unidades municipais contava com o serviço durante todo o dia.

Promotoria vai acompanhar medidas da FMS

Com a abertura do Procedimento Administrativo nº 15/2026, a 29ª Promotoria de Justiça passará a acompanhar as medidas adotadas pela gestão municipal para assegurar o atendimento contínuo.

A portaria também prevê o encaminhamento das informações ao Conselho Superior do Ministério Público e ao Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde e Cidadania (CAODS).

O procedimento tem caráter de acompanhamento e fiscalização. A partir das informações reunidas, o MPPI poderá avaliar a necessidade de recomendações, acordos ou outras medidas administrativas e judiciais para garantir a prestação contínua do serviço nas maternidades municipais de Teresina.

TERESINAPONTOCOMVoltar para a página principal