Teresina, PiauíVoltar para a página principal
Teresinapontocom
InícioPolítica

Câmara instala comissão para discutir redução da maioridade penal para 16 anos

Colegiado vai analisar propostas sobre responsabilização criminal de adolescentes; votação do parecer deve ficar para depois das Eleições 2026

Câmara instala comissão para discutir redução da maioridade penal para 16 anos
PublicidadeEPisAnúncio 1 de 2. Troca automática após 8 segundos.
A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (12/08) a comissão especial responsável por analisar propostas que reduzem de 18 para 16 anos a maioridade penal no Brasil. O colegiado será presidido pelo deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA), enquanto Mendonça Filho (PL-PE) ficará responsável pela relatoria.


A comissão passa a discutir o mérito da PEC 32/2015 e das propostas que tramitam em conjunto com ela. Entre os textos apensados está a PEC 8/2026, apresentada pelo deputado Capitão Alden (PL-BA), que propõe permitir, em caráter excepcional, a responsabilização penal de adolescentes em situações consideradas de maior gravidade.

Mendonça Filho apresentou um plano de trabalho que prevê a realização de audiências públicas e debates com especialistas e representantes de diferentes setores antes da elaboração de seu parecer. A expectativa é que a votação do texto seja realizada depois das eleições, diante da complexidade e da sensibilidade do tema.

O que está em discussão

Uma das propostas analisadas pela comissão, a PEC 8/2026, altera o artigo 228 da Constituição Federal para admitir a redução da maioridade penal em casos excepcionais envolvendo crimes hediondos e situações de crueldade extrema contra pessoas e animais.

O texto ainda poderá sofrer modificações durante a tramitação na comissão especial. Como outras propostas sobre o mesmo tema estão apensadas à PEC principal, caberá ao relator construir um parecer definindo qual redação será submetida à votação dos deputados.

Atualmente, a Constituição estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e ficam sujeitos à legislação específica. Adolescentes que praticam atos infracionais podem receber medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), inclusive internação nos casos previstos em lei.

Entre os pontos que deverão entrar no debate está a eventual criação de unidades ou alas específicas para jovens de 16 e 17 anos, evitando o cumprimento de pena junto a presos adultos. O presidente da comissão, Aluisio Mendes, já defendeu anteriormente que, caso a redução seja aprovada, essa faixa etária permaneça separada dos adultos no sistema prisional.

Tema divide opiniões

A redução da maioridade penal é alvo de divergências também no campo jurídico.

Em audiência realizada anteriormente pela Câmara, especialistas apresentaram posições diferentes sobre a constitucionalidade da mudança. Enquanto uma corrente entende que a inimputabilidade dos menores de 18 anos integra direitos protegidos constitucionalmente, outra sustenta que seria possível estabelecer exceções para crimes de maior gravidade.

Defensores da redução argumentam que adolescentes de 16 e 17 anos envolvidos em crimes graves devem receber responsabilização penal mais severa. Críticos da proposta defendem o fortalecimento do sistema socioeducativo e questionam tanto a constitucionalidade quanto a eficácia da medida para reduzir a criminalidade.

Votação deve ocorrer após período eleitoral

O calendário apresentado para os trabalhos prevê audiências e novas discussões ao longo dos próximos meses. Mendonça Filho indicou que, por se tratar de um tema sensível, a intenção é evitar uma votação apressada durante o período eleitoral e deixar a análise do parecer para depois das eleições.

Se o texto for aprovado pela comissão especial, ainda terá um longo caminho pela frente.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, a matéria precisará ser votada em dois turnos no Plenário da Câmara. Em cada votação serão necessários pelo menos 308 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 513 deputados.

Caso seja aprovada nos dois turnos, a PEC seguirá para o Senado Federal, onde também precisará passar pela análise dos senadores antes de uma eventual alteração na Constituição.

TERESINAPONTOCOMVoltar para a página principal