A primeira-dama Janja Lula da Silva participou, nesta quinta-feira (30/07), em Teresina, da cerimônia de mobilização do Pacto Brasil contra o Feminicídio. Durante o evento, ela afirmou que o crime representa uma tentativa de apagar a história, a identidade e a existência das mulheres.
A solenidade foi realizada no Hotel Blue Tree, na zona Sul da capital, e reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, integrantes da rede de proteção às mulheres e autoridades estaduais e federais.
O pacto foi criado como uma articulação entre os Três Poderes para fortalecer ações de prevenção, proteção às vítimas, responsabilização dos agressores e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.
Ao iniciar o discurso, Janja citou mulheres vítimas de feminicídio no Piauí. Entre os casos mencionados estavam os de Francisca das Chagas Veras Martins, de 50 anos, morta a facadas pelo ex-marido em Capitão de Campos, e Larissa Cordeiro Pereira, de 21 anos, assassinada a tiros enquanto trabalhava como operadora de caixa em um supermercado de Canto do Buriti.
Segundo a primeira-dama, mencionar os nomes das vítimas é uma forma de impedir que elas sejam lembradas apenas como números. Janja afirmou que cada mulher possuía uma história, uma família e projetos de vida interrompidos pela violência.
Durante a fala, ela também se emocionou ao recordar o caso da estudante Janaína Bezerra. A jovem foi estuprada e assassinada, em janeiro de 2023, dentro da Universidade Federal do Piauí, em Teresina.
Janja destacou o trabalho desenvolvido no Piauí e classificou o estado como uma referência na redução dos feminicídios. Segundo dados apresentados durante a solenidade, houve uma queda de cerca de 60% nos casos registrados no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
A primeira-dama defendeu que o enfrentamento à violência contra a mulher não deve ficar restrito aos órgãos de segurança ou à rede de atendimento. Para ela, a prevenção exige a participação das famílias, das instituições, dos homens e de toda a sociedade.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, também defendeu uma atuação integrada. Durante o discurso, ele citou mulheres piauienses que marcaram a defesa dos direitos femininos, como a delegada Vilma Alves, a delegada Eugênia Villa e Esperança Garcia, reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil como a primeira advogada do país.
Chico Lucas afirmou que o enfrentamento ao feminicídio é uma das prioridades do Governo Federal e ressaltou a necessidade de integração entre as forças de segurança, o sistema de Justiça e os serviços de acolhimento às vítimas.
A secretária estadual das Mulheres, Diva Vasconcelos, afirmou que a cerimônia reafirma o compromisso do Piauí com a proteção da vida das mulheres. O estado participa das ações articuladas do pacto e mantém serviços voltados ao acolhimento, à prevenção e à responsabilização de agressores.
A solenidade contou com as presenças da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, do governador Rafael Fonteles e da primeira-dama do Piauí, Isabel Fonteles.
Também participaram o presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Severo Eulálio, os senadores Marcelo Castro e Jussara Lima, representantes do Tribunal de Justiça, do Ministério Público e profissionais que integram a rede de atendimento às mulheres.
Antes da cerimônia, Janja participou de uma reunião com entidades ligadas à defesa dos direitos femininos. A passagem por Teresina faz parte de uma agenda de mobilização nacional para ampliar a adesão ao Pacto Brasil contra o Feminicídio e fortalecer as políticas de igualdade de gênero e proteção às mulheres.



