A operação chamou atenção no Brasil principalmente por causa dos casos de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão, e de Édson Davi, que desapareceu aos 6 anos na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em janeiro de 2024.
As famílias procuraram as autoridades após a divulgação das informações sobre o resgate nos Estados Unidos, na esperança de verificar uma possível relação entre os casos.
Operação encontrou 163 crianças
Segundo as autoridades norte-americanas, as 163 crianças e adolescentes localizados estavam em diferentes situações de vulnerabilidade, incluindo casos de abuso, negligência, exploração e exposição a atividades criminosas.
A Operação Statewide Shield foi realizada entre os dias 17 e 21 de agosto e reuniu diferentes agências de segurança. As vítimas tinham idades entre dois meses e 17 anos.
Após a confirmação da identidade e das condições em que foram encontradas, as crianças foram encaminhadas para serviços de proteção e atendimento especializado.
Irmãos continuam desaparecidos no Maranhão
Ágatha Isabelly e Allan Michael desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, na zona rural de Bacabal.
Os irmãos saíram para brincar em uma área de mata na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos.
O primo foi encontrado com vida três dias depois, a cerca de quatro quilômetros de casa. Ele relatou que entrou na mata com Ágatha e Allan e acabou se separando dos dois.
As buscas mobilizaram centenas de pessoas, incluindo policiais, bombeiros, voluntários, cães farejadores e equipes especializadas.
Segundo a investigação, cães detectaram sinais da presença das crianças em uma casa abandonada próxima ao Rio Mearim. Até agora, porém, esse é um dos poucos indícios encontrados sobre o paradeiro dos irmãos.
A Polícia Civil do Maranhão mantém o caso sob segredo de Justiça.
Busca pode ganhar alcance internacional
A família de Ágatha e Allan pediu à Polícia Federal a inclusão dos nomes das crianças na Difusão Amarela da Interpol.
O mecanismo é utilizado internacionalmente para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas. Após o encaminhamento das informações pelas autoridades brasileiras, cabe à Interpol analisar os dados e decidir se o alerta será publicado e compartilhado com os países integrantes da organização.
A Polícia Federal informou que analisa os procedimentos necessários para ampliar a cooperação internacional nas buscas.
Caso Édson Davi também chega à Interpol
O desaparecimento de Édson Davi também passou a contar com atuação internacional.
O menino desapareceu em 4 de janeiro de 2024, enquanto estava na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde acompanhava o pai, que trabalhava em uma barraca.
A Polícia Federal encaminhou à Interpol pedido para inclusão do caso na Difusão Amarela. A documentação será avaliada pela organização antes da eventual publicação do alerta internacional.
Na investigação realizada no Rio de Janeiro, a Polícia Civil analisou imagens de câmeras da região, mas não encontrou registros que mostrassem Édson deixando a praia. Uma das hipóteses trabalhadas no inquérito foi a de afogamento, mas o menino nunca foi localizado.
Com a confirmação de que não há brasileiros entre as 163 crianças resgatadas nos Estados Unidos, essa possibilidade foi descartada. As buscas por Ágatha, Allan e Édson Davi, porém, continuam e poderão contar com maior cooperação internacional por meio da Interpol.



