O inquérito apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A abertura da investigação foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
As suspeitas surgiram a partir de mensagens, documentos e movimentações financeiras encontrados durante as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo informações reunidas pela PF, Flávio Bolsonaro teria participado das tratativas para captar recursos para a produção do filme. Documentos indicam uma negociação de aproximadamente US$ 24 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 130 milhões à época.
Mais de R$ 60 milhões teriam sido transferidos
Embora o valor inicialmente negociado fosse maior, as investigações apontam que aproximadamente US$ 12,3 milhões foram efetivamente transferidos para o projeto, quantia que variava entre cerca de R$ 60 milhões e R$ 69 milhões conforme a cotação utilizada.
Parte desses recursos teria passado pelo Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e utilizado no financiamento da produção.
A Polícia Federal busca esclarecer a origem do dinheiro, o caminho percorrido pelos valores e se os recursos tiveram como destino exclusivo a produção cinematográfica.
Delator confirma sete transferências
Outro elemento incorporado à investigação é a colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
Freixo afirmou ter realizado sete transferências para o fundo Havengate, entre janeiro e setembro de 2025, a pedido de Daniel Vorcaro. Os repasses somaram US$ 12,333 milhões.
O acordo de colaboração foi homologado por André Mendonça nesta semana. A delação ainda precisará ser confrontada com documentos, registros bancários e outras provas reunidas pela investigação.
PF apura possível relação com Eduardo Bolsonaro
Os investigadores também analisam se parte do dinheiro movimentado por meio do fundo nos Estados Unidos poderia ter sido utilizada para despesas relacionadas a Eduardo Bolsonaro.
O fundo Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado como próximo de Eduardo. A existência dessa relação, porém, não comprova por si só que o ex-deputado tenha recebido recursos. Esse ponto segue sob investigação.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Flávio Bolsonaro nega que tenha ocorrido qualquer irregularidade no financiamento de “Dark Horse”.
Segundo ele, os valores destinados ao projeto eram recursos privados e foram utilizados para a produção do filme.
A produtora responsável pela obra também afirma que os aportes foram declarados à Justiça e que todos os recursos recebidos foram destinados ao projeto. Segundo a empresa, as transações passaram pelos canais formais do sistema financeiro e foram acompanhadas da documentação correspondente.
A investigação permanece sob responsabilidade do STF e ainda não há conclusão sobre eventual prática de crime pelos envolvidos.



