Teresina, PiauíVoltar para a página principal
Teresinapontocom
InícioPolícia

Suspeito de liderar esquema de clonagem de WhatsApp e invasão de contas é preso em Teresina

Lívio da Caverna foi localizado na zona Sul durante segunda fase da Operação Chip Falso; Polícia Civil estima prejuízo de pelo menos R$ 500 mil

Suspeito de liderar esquema de clonagem de WhatsApp e invasão de contas é preso em Teresina
PublicidadeEPisAnúncio 1 de 2. Troca automática após 8 segundos.

Lívio Fernando de Oliveira Sousa, conhecido como Lívio da Caverna, foi preso na manhã desta quinta-feira (20/08), no bairro Três Andares, zona Sul de Teresina, durante a segunda fase da Operação Chip Falso.


Segundo a Polícia Civil do Piauí, ele é apontado como um dos principais líderes de um grupo investigado por fraudes eletrônicas, invasões de sistemas de telefonia e aplicação de golpes por meio da transferência ilegal de linhas telefônicas.

A estimativa inicial é de que o esquema tenha provocado prejuízos de pelo menos R$ 500 mil a vítimas de diferentes estados brasileiros.

Lívio era considerado foragido desde a primeira fase da operação, realizada em julho, e foi localizado dentro de uma residência. Segundo a polícia, ele não reagiu à abordagem.

Grupo utilizava golpe conhecido como SIM Swap

O esquema investigado utilizava uma técnica conhecida como SIM Swap, que consiste na transferência indevida do número telefônico de uma vítima para um chip controlado pelos criminosos.

Com a linha telefônica em mãos, o grupo conseguia receber códigos de autenticação e tentar assumir contas vinculadas ao número.

Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam esse acesso para clonar contas de WhatsApp, invadir redes sociais, acessar contas bancárias, realizar transferências e fazer compras utilizando dados das vítimas.

Entre os golpes investigados estão ainda modalidades conhecidas como falso parente e falso advogado, nas quais criminosos utilizam contas ou identidades digitais para solicitar dinheiro.

Documentos falsos e biometria eram utilizados

Para conseguir transferir as linhas, os investigados teriam utilizado documentos falsificados, imagens biométricas manipuladas e recursos tecnológicos para tentar burlar os sistemas de segurança das operadoras.

Uma das técnicas investigadas é chamada de “injeção de selfie”, na qual imagens manipuladas ou produzidas digitalmente são utilizadas para tentar passar por mecanismos de reconhecimento facial.

De acordo com o delegado Humberto Mácola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Lívio também seria responsável por recrutar pessoas para fornecer selfies, dados cadastrais e informações pessoais.

Segundo o delegado, algumas dessas pessoas recebiam entre R$ 200 e R$ 300 por cadastro fornecido ao esquema.

Mais de 100 pessoas que teriam cedido dados estão sendo identificadas e algumas deverão prestar depoimento para esclarecer o grau de participação no esquema.

“Casa da fraude” funcionava em Teresina

Durante a primeira fase da investigação, a Polícia Civil identificou uma residência no bairro Monte Castelo, zona Sul de Teresina, que teria funcionado como uma espécie de base operacional do grupo.

Segundo os investigadores, pessoas eram atraídas ao imóvel, inclusive durante festas, e recebiam propostas financeiras para fornecer CPF, documentos e biometria facial.

Depois que o endereço foi identificado pela polícia, integrantes do grupo teriam passado a utilizar outro imóvel para continuar as atividades.

O delegado Humberto Mácola afirmou que a nova localização foi descoberta a partir de provas técnicas obtidas ao longo da investigação.

Companheira de Lívio também foi presa

Lívio é companheiro de Rosana Rodrigues da Silva, ex-funcionária de uma empresa de telefonia e também investigada pela Operação Chip Falso.

Rosana se apresentou à Polícia Civil no fim de julho acompanhada de advogado e teve um mandado de prisão cumprido. Ela é apontada pela investigação como uma das pessoas que teriam papel relevante no funcionamento do esquema.

Segundo a polícia, a experiência profissional dela no setor de telefonia teria sido utilizada para auxiliar na transferência irregular das linhas e no acesso aos sistemas das operadoras.

A defesa apresentada por Rosana durante a investigação alegou que ela teria sido utilizada pelo companheiro. A Polícia Civil, porém, afirma ter reunido elementos que serão analisados no inquérito para definir a participação de cada investigado.

Fraudes atingiram vítimas de vários estados

A Polícia Civil identificou vítimas em pelo menos oito estados: São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Minas Gerais.

A investigação busca agora dimensionar o prejuízo total e rastrear os valores movimentados pelo grupo.

Nove pessoas já foram presas na segunda fase

Nesta segunda etapa da Operação Chip Falso, foram expedidos 32 mandados judiciais, incluindo ordens de busca e prisão.

Segundo atualização divulgada pelo delegado Humberto Mácola, 16 desses mandados eram de prisão e, até o momento da entrevista nesta quinta-feira, nove pessoas haviam sido capturadas. As buscas pelos demais alvos continuam.

A primeira fase da operação foi realizada em 15 de julho. Na ocasião, foram cumpridas 30 ordens judiciais e dez pessoas foram presas, além da apreensão de celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos.

O material apreendido nas duas fases será submetido à análise técnica e poderá levar à identificação de novos envolvidos e a outras etapas da operação.

A Polícia Civil também alerta que a perda repentina e prolongada do sinal do celular pode ser um indício de transferência irregular da linha. Nesses casos, a orientação é procurar imediatamente a operadora e, se houver suspeita de fraude, registrar boletim de ocorrência.

Os presos são investigados e ainda não foram condenados. A responsabilidade de cada suspeito será definida após a conclusão das investigações e eventual processo judicial.

TERESINAPONTOCOMVoltar para a página principal